CICLOS – NO TERRITÓRIO TÊXTIL DE GUIMARÃES E VALE DO AVE
Magic Carpets
1 agosto – 15 setembro 2025
Iniciando o seu terceiro ciclo, o projeto europeu Magic Carpets apresentou um programa dedicado ao tema “CICLOS — Fluxos que se Renovam, uma Paisagem em Movimento”, centrando-se na vitalidade, na herança e na constante transformação do território têxtil de Guimarães e do Vale do Ave.
Sob a curadoria de Cláudia Melo, assistida por Luísa Abreu e Ana Leandro, os artistas Nicole Weniger (Áustria), Rio Drop (Suécia) e Ludgero Almeida (Portugal) realizaram residências nas quais desenvolveram propostas colaborativas com diferentes comunidades locais.
Estes projetos colocam em diálogo a prática artística contemporânea com o saber-fazer tradicional, ativando memórias, experiências e gestos que atravessam gerações. Através de abordagens sensíveis e participativas, os artistas propuseram novas leituras, com ênfase em práticas sustentáveis e na valorização das relações entre corpo, território e produção têxtil.
*Magic Carpets é uma plataforma europeia que apoia artistas emergentes através de residências artísticas, promovendo a colaboração entre criadores e comunidades locais, com o objetivo de fomentar práticas artísticas socialmente envolvidas e inovadoras.
FLUXOS QUE SE RENOVAM, UMA PAISAGEM EM MOVIMENTO
O território do Vale do Ave e de Guimarães, historicamente marcado pela indústria têxtil, é um organismo em constante transformação. Aqui, o conceito de ciclo ganha um significado profundo, entrelaçando tradição e inovação, passado e futuro, produção e renovação.
A indústria têxtil desta região inscreve-se em um movimento cíclico, onde a produção não é apenas um processo linear, mas uma sequência de transformações que refletem as dinâmicas sociais, económicas e ambientais. O que foi outrora um setor de crescimento exponencial, impulsionado pela modernização e pelo mercado global, hoje reconfigura-se diante das novas urgências do nosso tempo: a sustentabilidade, a circularidade dos recursos e a valorização do saber-fazer local.
TERRITÓRIO EM FLUXO: ENTRE A MEMÓRIA E A RENOVAÇÃO
Guimarães e o Vale do Ave, enquanto paisagem-organismo, foram moldados pelos ciclos produtivos do têxtil, onde a relação entre o trabalho humano e o ambiente se reflete na configuração do próprio espaço. As fábricas, os rios que fornecem energia, as mãos que tecem, tingem e costuram: tudo está interligado num sistema dinâmico, no qual cada mudança social e económica reverbera na paisagem.
Nos momentos de expansão, o território acelerou-se; nos momentos de crise, ressignificou-se. Hoje, diante dos desafios ambientais e da necessidade de alternativas sustentáveis, observa-se um movimento de retorno: o resgate de técnicas ancestrais, o uso de fibras naturais e processos menos agressivos ao meio ambiente. A economia circular emerge como um novo ciclo de produção, no qual o desperdício é minimizado e os materiais ganham novas vidas, repetindo-se sem nunca serem idênticos.
A MATÉRIA TÊXTIL COMO EXPRESSÃO DE CICLOS VIVOS
A matéria têxtil, assim como o território, inscreve-se em ciclos: do fio à tecelagem, do tecido ao vestuário, do uso à reutilização. Cada fibra carrega consigo a história de quem a trabalhou, de quem a vestiu, de quem a transformou. O que se produz aqui não é apenas um objeto, mas um vestígio de um processo maior, um testemunho das mãos que o criaram e do contexto em que surgiu.
Do linho artesanal à indústria do algodão, do fast fashion à busca pela moda sustentável, Guimarães e o Vale do Ave vivem ciclos de produção e consumo que se reinventam. As novas gerações, herdeiras de um saber-fazer secular, enfrentam o desafio de equilibrar produção e preservação, eficiência e responsabilidade ambiental.
CICLOS QUE GERAM FUTURO
A urgência do presente impele-nos a repensar o território não apenas como um espaço de exploração, mas como um ecossistema de interdependência, onde a relação entre natureza, indústria e sociedade precisa ser ressignificada. Os ciclos de produção têxtil no Vale do Ave só terão futuro se forem repensados à luz de uma economia regenerativa, onde a circularidade dos materiais e o respeito pelo meio ambiente sejam prioridades.
Artistas: Ludgero Almeida, Nicole Weniger, Rio Drop
Curadoria de Cláudia Melo
Cofinanciado pela Europa Criativa
Apoio de Munícipio de Guimarães, Têxteis Penedo, Lameirinho e Misericórdia de Guimarães